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29/11/2008 17:07
Foi uma noite filosófica. E bem viada.
Eu e Rô ficamos horas, hooooras tentando decifrar o segredo do universo, da relatividade e do por que caralhos não somos consideradas uma opção para a maioria dos homens interessantes. Ressaltando que o foco foram os homens interessantes, porque com marmotas nós temos uma relação, assim, tipo chafariz e pombos cagões. Isso já temos muito bem resolvido em nossas vidas. Pula.
Enfim, levantamos hipóteses, traçamos organogramas, fizemos contas na calculadora científica, e não chegamos a lugar nenhum a não ser 50 reais em cerveja. O questão é: se não somos burras, nem feias, nem chatas, nem codependentes, que elemento em nós repele os Mark Darcys da vida? (esta semana estou insistente na teoria Mark Darcy rs)
E aí cai de novo na namorada daquele cara que vira e mexe aparece na minha frente falando dificil sobre coisas interressantíssimas, e que cada vez que ele enfia a mão no bolso da calça social, minha visão raio-x fica seguindo ele peladão pra lá e pra cá falando filosofias e olhando praticamente nunca pra mim.
Aiai...
Tá, vamos voltar ao núcleo do sujeito do parágrafo rs.
A mulher É tonta. Vasculhei o orkut dela em busca de dados meramente científicos... a maioria das comunidades dela trata de "amo meu namoradinho", "gosto de chocolate" ou coisa do gênero. De 2 ou 3 mensagens que vi dela pra ele, todas são trechos de músicas bregas de bandas que vão no Faustão. As fotos se tratam de coisas do tipo as duas pessoas (é, eles são siameses) sentadas numa mesa com um fondue e dois copos Baden Baden virados pra frente, pra caracterizar bem e provar que eles estiveram, sim, em Campos do Jordão. Uma vida bem interessante, enfim. Mas o melhor são as legendas. O que uma pessoa tem a dizer sobre a referida foto, por exemplo? Qual a grande abstração? É. "Eu e meu amor comendo fondue em Campos do Jordão". Sem falar em uma onde ela usa impunemente a palavra "aventura"...
E pra terminar de destruir a pessoa e ter mais um motivo pra rezar pra ela nunca encontrar esse blogue, rs, ela é feia demais. Não, não é porque eu acho o marido dela interessante; lembra que isso tudo é uma coleta de dados concretos para uma pesquisa puramente científica que começou no bar e espero um dia terminar em formato ABNT [... publicar, ficar rica, fazer plástica nas têtas e passar o resto da vida assistindo Bob Esponja comendo coisas com glúten]. Ok que beleza não seja um conceito e que seja relativa, mas ela tem uma feiura absoluta ou, pelo menos, é bem mais feia que eu (se isso me faz parecer menos politicamente incorreta rsrs). E, o mais divertido, no campo "profissão" constava "consultora de beleza". Adoro gente cara-de-pau. Tudo bem que, depois de olhar as comunidades, entendi que isso é um nome bonito que a Avon inventou pra substituir "revendedora", e se a gente riu disso a noite inteira, culpe a Avon, foi ela que começou.
E aí a grande pergunta que rondou a mesa a noite toda foi: "Porra, caralho, então qualé?"
Se eu sou uma mulher que trabalha igual uma filha da puta, só joga com o próprio taco, ganha mal mas pelo menos consegue comprar um livro (ou uma passagem pra algum lugar não-canastrão que só sirva pra tirar foto e dizer que foi)... Se eu não sou feia, não cheiro mal (na maioria das vezes), tenho um certo bom gosto e um senso de humor interessante... Se sou boa companhia pra qualquer coisa, tenho minhas próprias posições e não espero nem cobro [quase] nada de ninguém (tô adoraaaando essa coisa de falar bem de mim mesma rsrs)... Se não fumo crack, não me prostituo, tenho todos os dentes, e sem cáries, e uma bunda extremamente okêi, então qual-é-o-meu-problema???
Já sei de velha que a gente opta pelas pessoas com quem a gente se envolve desde a escolha do lugar em que a gente acaba conhecendo essas pessoas, mas explica, então, por que eu frequento tantos lugares de gente interessante quanto de gente babaca escrota, mas só os babacas escrotos notam a minha presença.
E aí a terapeuta sugeriu que eu revisse alguns autoconceitos. Fez um ar de "graças a deus vc chegou nesse assunto" e disse que meu jeito de me vestir "pode não parecer" atraente para o sexo oposto, e que minha bolsa lembra as das namoradas dos seus filhos adolescentes.
Ok, então não importa se uma pessoa é centrada e assume responsabilidades do tipo passar 12 horas por dia evitando prejuizos financeiros à maior empresa de varejo do mundo; nem se a pessoa administra o próprio rabo com certo sucesso; nem se vê no parceiro o significado próprio da palavra e não um curador-protetor-defensor-provedor-alvodasminhasfrustrações. Aparentemente o segredo, amigos, é: uma sóbria bolsa de vinil.
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Talvez eu deva também começar a gostar de chocolate, diminutivos, flores podadas e Zibia Gaspareto.
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Foi o papo mais viado e desnecessário que tivemos em todas nossas vidas rsrsrs. Mais ainda do que aquela discussão sobre como tirar a mancha de shoyu da blusa da Rô (que a propósito esse dia estava indo depois para um primeiro encontro que aparentemente não deu em nada rs) no banheiro do chinês no cu do padre; discussão que durou 30 segundos até o sensato "foda-se, vou tirar e vestir do avesso".
enviada por Marmota Míope
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