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06/01/2009 11:57
Helenizaram Maysa.
Ok, se a minissérie me surpreendeu alguma coisa, foi mais pro negativo.
A fotografia é inegavelmente formidável, a atriz principal é deslumbrante e fisicamente lembra demais Maysa. Mas Manuel Carlos já é morno por si só, nem precisaria da parcialidade de Jayme Monjardim pra deixar a coisa mais pra um romance pra se assistir tomando sopa de batata. Teve horas em que eu tive certeza que alguém, num ato falho, chamaria a protagonista de Helena no meio da cena e passaria totalmente despercebido.
Tudo já começou tendencioso nos primeiros segundos: a insistência cansativa de justificar o alcoolismo de Maysa, reiterando o desejo de se livrar da dependência e uma culpa pelos anos de bebedeira da qual não me lembro no original. Como se os responsáveis pela minissérie pedissem desculpas previamente pelo que mostrariam a seguir.
Daí vem uma sequência infinita de diálogos sem liga, cenas amenas, interpretações medianas, uma Maysa maquiada ao acordar (lembra daquela clássica entrevista pra TV Cultura, sentada no chão, cara lisa, toda desgrenhada?) e, pior, sorridente. A Maysa. Arrãm.
Embora a semelhança física da atriz seja um susto, o recheio é completamente diferente. Larissa sem querer deu à personagem uma doçura e elegância que não eram dela. Isso berrou na cena do sapato nem ensaiando a original jogaria um sapato na platéia com tanta classe. Deve ter sim é soltado um Filho da puta enquanto jogava, toda troncha, louca da vida. E efusiva como sempre, pra cima ou pra baixo.
Deram cabo da boa e velha Maysa, insegura, co-dependente, boca suja, vingativa, que mentia nas entrevistas e passava trote de madrugada. Desconsideraram o que tinha de mais valioso nela, os valores bagunçados, a cabeça perturbada, a melancolia,e a raríssima coerência que vinha daí (só os perturbados são coerentes porque são os únicos que questionam). Quero ver se vão continuar disfarçando e pular os dias em que ela dormia com os mendigos em Paris...
Andrea também não era aquele fofo (o ator careca de 50 interpretando um Andrea desde os 32 está hilário) que só queria a presença da amantíssima esposa. Tá, já faz uns 900 anos que li a biografia, mas lembro bem do fato dele ter tentado boicotar a carreira de Maysa desde o começo, impedindo que ela cantasse profissionalmente e exigindo que todo dinheiro que ela ganhasse fosse doado pra instituições de caridade.
O buraco era bem mais embaixo. Opá se era.
Daí fiquei com uma clara impressão de que Monjardim não mostrou a mãe que ele teve, mas a mãe que ele queria ter tido.
Ou, muito pior, ele conhece tanto da mãe quanto os filhos dele.
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E a insistência na coisa dos olhos, gente? Ô chatice!
enviada por Marmota Míope
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