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29/01/2009 13:31
Todos os meus amigos já enjoaram de saber que um dos meus traumas tem nome próprio. Claro que, na época do trauma, eu achava o nome dela lindo, e só depois de velha reparei que, assim como o meu (que me faz parecer malvada e colérica), o dela também é uma justaposição de palavras que faz crer que ela tem duas bundas.
Este trauma, que para preservar a identidade e integridade moral dos envolvidos aqui chamaremos de Desgraça, sempre foi a querida da família, a mais bonita da turma, a que tinha o sapatinho branco de vinil e, pra piorar a porcaria da minha vida, tinha mais ou menos a minha idade. Não, um pouco mais e isso pra criança é outro dos maiores motivos de inveja.
Daí que todos meus namoradinhos me trocavam por Desgraça sem piscar, e ela fazia charme, dizia não e deixava os meninos chorando e pedindo pelo amor de deus. E, acredite, não era por solidariedade, era por crueldade mesmo. Transpondo os símbolos pertinentes à idade, eu representaria Desgraça hoje como aquela diva de tubinho vermelho, deitada com uma cigarrilha enorme num piano de cauda. Com um pouco mais de filhadaputagem - a que já é inerente às crianças.
Não estou na onda de contar a história de Desgraça mais uma vez, mas só pra vocês saberem e tratarem de derrubar a auto-estima de seus filhos enquanto for tempo, Desgraça se fodeu toda na vida.
Daí que, nessa de passar a vida pulando de galho em galho tentando me achar e pondo uma porcentagem com casa decimal da culpa em Desgraça, fui parar num curso de [coloque aqui um curso nada a ver com minha profissão]. E dei logo de cara com uma figura que me lembra Desgraça em cada olhada lateral, em cada como assim?, em cada í-ó.
E não é que ela decidiu que gosta de mim e quer ser minha amiga de qualquer jeito?
enviada por Marmota Míope
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