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15/02/2009 14:35
- Alô? Quem tá falando?
- Com que você quer falar? (ok, uma objetividade quase grosseira, mas odeio falar ao telefone)
- É a Fulana? [me chamou pelo nome. Se hoje não fosse domingo, poderia ser do banco. Mas não é. Me chamou pelo nome, é coisa velha] É a Fulana magrela que não é mais magrela? [pronto. Faz 2 anos que os 10kg vieram pra ficar. É coisa velha].
- !!!
Alê e Sandra. Tantos anos depois... um casamento, uma mudança de estado, um filho lindo depois... Éramos um casal de 4 ou 5. Fazíamos muitas coisas juntos, inclusive ficar quietos espalhados pelo chão e sofá. Já passamos tanto tempo nos bastando dentro da casa do Alê, num carnaval que concordamos em privar o mundo das nossas caras, que quando Sessé chegou, respirou fundo e disse "cheiro de xeréca aqui dentro".
Era uma dessas amizades com gosto de chantili, que só faz bem e só alimenta. Sabe? quentinho na alma.
Eles estavam lá enquanto eu virava mulher, e talvez muito desse processo os tenha aborrecido, por aquelas coisas que não são legais mas que a gente precisa fazer pra crescer, sabe? Coisas como faltar, experimentar, quebrar a cara, falar demais, falar de menos.
Daí a vida tem que andar, eles casaram, foram embora, tiveram um menino gatíssimo que escutei pelo telefone, falando alto e decidido, igual a Sandra. Chorei.
Fazia pelo menos 6 anos que eu não ouvia a voz deles; de tudo, só sobrou um bobo orkut, por onde vi João nascer, crescer, andar, rir... por onde sei exatamente o que eles andam fazendo, mesmo que não sejam eles a me falar. Por onde eles sabem que eu não sou mais magrela, talvez.
Mas não foi por lá que eles souberam que meu coração anda ardendo. Nem pela Re, que é quem anda cuidando de mim mas que chegou na turma há muito pouco tempo e não os conheceu. Não foi por ninguém; eles simplesmente pegaram no telefone e me ligaram. Tudo tão familiar, como se o tempo não tivesse passado de lá pra cá; como se minha vida não tivesse virado toda de ponta-cabeça, e desvirado, e tivesse feito de mim uma pessoa completamente diferente daquela que eles conheceram. As mesmas brincadeiras, a mesma conversa com a respiração ofegante de quem está preparado para rir a qualquer minuto.
E meu coração ficou tão absurdamente feliz quando desliguei o telefone, que eu queria saber a receita dessa sensação pra distribuir pra vocês todos.
A Re tem razão. Não preciso fazer muita força pra ver que tenho amigos verdadeiros que me amam. Amigos que gostam de estar comigo por motivo nenhum... não pra anotar minhas histórias e expressões e idéias, ou pra fazer volume, ou pra jogos subjetivos. Se perguntar, talvez eles nem saibam por que. Mas me amam com ternura e sempre o vão fazer. Independente se eu mesma deixar de me amar às vezes.
O meu medo é que meus amigos não saibam o quanto os amo, enlouquecidamente.
enviada por Marmota Míope
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